Retrovisor: Cadillacs & Dinosaurs
Postado por Rafa Borges, às 10:28 | Arquivado em Videogame
Quando fui convidado para escrever aqui no SOC, estreando a seção Retrovisor, pensei em fazer um post sobre beat’em ups. Por quê? Ora, porque todo mundo gosta desse tipo de jogo, cujo auge foi nas eras de 8 e 16-bits, no Master System, no NES, no Mega Drive, no Super NES e nos arcades. O problema foi escolher qual deles relembrar com tantos títulos bons que marcaram a infância de muito marmanjo, inclusive este que vos fala. Decidi por escrever sobre um dos mais completos e originais beat’em ups, exclusivo para os arcades – Cadillacs & Dinosaurs.

Cadillacs & Dinosaurs, de 1993, é mais uma prova que a Capcom desenvolveu o gênero com maestria, e só a Konami conseguia rivalizar com a produtora nos beat’em ups. Mas não vamos nos estender nos ótimos títulos que cada um desses estúdios desenvolveu. Estamos aqui para falar de répteis gigantes, carrões, muita pancadaria e fortunas gastas em fichas.
O jogo não foge muito dos padrões dos beat’em ups. Os personagens se movimentam livremente pelo cenário no estilo chamado 2,5D, batendo nos vilões até chegar ao fim da fase. Lá, enfrentam os chefões – inimigos que costumam consumir mais fichas e continues que o normal. Também não apresentava nada de novo nas lutas, sem combos elaborados ou técnicas especiais. Em resumo, é mais um exemplo do bom e velho “aperta o botão de soco!!!”.
Mas quem foi que pensou em colocar uma turma de mecânicos – e uma morena peituda – para investigar e bater em uma gangue que faz experimentos genéticos com dinossauros. Aliás, quem foi que imaginou uma ilha cheia dos lagartões em pleno século XXI? (Bom, teve o Steven Spielberg…). Não importa. A combinação deu muito certo. Ainda mais porque incluíram armas. Uma porrada delas.
No meio da pancadaria, apareciam pistolas, Uzis, granadas, espingardas. Brinquedos providenciais quando de enfrenta duzentos fortões de uma vez. Mas a menina dos olhos era a bazuca, arma raríssima no jogo. A parte boa é que sempre que o jogador usava um continue o personagem ressurgia junto com um ataque aéreo empunhando uma dessas belezas novinha em folha. Impagável literalmente explodir os inimigos com ela! Isso sem contar os bastões e facas encontrados dentro dos barris.
Os personagens são memoráveis. Os heróis têm a musa Hannah e os bonitões Mustafa, Jack e Mess, cada um com seus níveis de força e agilidade. Mas foram os vilões que marcaram os jogadores. Os Slisaurs, chefes de uma fase já avançada, são um pesadelo. E quem não lembra daquele gordo que tenta acordar o Tiranossauro Rex no primeiro estágio? Mas todos iam ao delírio mesmo quando Bludge, o clone do Blanka, de Street Fighter, dava as caras cuspindo ácido – infelizmente ele não dava choque.
Cadillacs & Dinosaurs ainda é bastante comum nos fliperamas brasileiros, e algumas máquinas têm controles para até três jogadores simultâenos. Se você for se arriscar, não esqueça de uma dessas duas coisas: um parceiro ou sua mesada. Ou os dois. O jogo é um dos maiores papa-fichas da história dos videogames. Mas vale a pena deixar uns trocados só para pegar o Mustafa e voar com os dois pés no peito daquele cientista doidão e seus dinossauros.
Pouca gente sabe, mas o jogo foi inspirado nos quadrinhos americanos Xenozoic Tales. Um desenho animado de mesmo nome também foi produzido e transmitidos nos EUA em 1993 e 1994, em uma curta temporada de 13 episódios. Mas largue mão de se preguiçoso e procure o fliperama mais próximo da sua casa. As chances de encontrar uma máquina com Cadillacs & Dinosaurs são enormes!














