Quando os fãs devem interferir?
Postado por Daniel Gomes, às 09:00 | Arquivado em Opinião, Videogame
Games, para muitos, não são considerados arte, apenas um produto de consumo, para outros o são, mas, desde quando, consumidores podem e devem inteferir no pensamento criativo de um conjunto de criadores?
Eu sei que o assunto já passou, é, literalmente, coisa do passado e que, de certa forma, a Bioware cedeu aos milhares de reclamantes sobre o fim de Mass Effect 3 – eu ainda não joguei e não posso dar uma opinião embasada sobre este fim em especifico -, mas o que dá para dizer é o seguinte: “Por que uma empresa deve se importar em entregar um produto que tenha de satisfazer uma minoria?”, muitas vezes, acho eu, que se a história que é criada para um jogo, filme, seriado, livro ou afim, antes de agradar completamente o consumidor, deve ser mais satisfatório para a pessoa que o cria. De que adianta escrever, desenhar, editar por centenas de horas um cenário para que, no final, chegue alguém e diga: “Não gostei.” e o autor simplesmente baixa a cabeça e refaz?
Pois entrando neste mérito, imaginem só o seguinte cenário: De Volta para o Futuro 3, o Delorean está nos trilhos e é destruído pelo Trem que estava na linha. Robert Zemeckis lança um preview em 12 salas espalhadas por todo os EUA e todos dizem, NÃO GOSTAMOS DESTE FINAL, TEM DE REFAZER, sendo que para o criador da série, aquele final representa não um desfecho da mesma, como é mostrado a seguir com o Doutor Brown aparecendo numa antiga locomotiva a vapor que viaja no tempo, onde ali pode-se ter inicio a uma retomada de ideias e eventos novos para a série – que a TellTales Game habilmente conseguiu mostrar em versão de videogame. Claro que o diretor do filme não precisou refazer o mesmo – mesmo porque na época, a opinião pública tinha força, mas os produtores executivos tinham ainda mais força -, e temos o clássico que temos.
Muitas outras empresas já cederam aos gritos extasiantes dos consumidores, repetidas vezes, a mais recente foi a Square-Enix – mas também pudera – que teve de lançar o Final Fantasy XIII-2, para cobrir as dezenas de falhas que o jogo original tinha, a começar que sequer se parecia com um Final Fantasy, mas, aí é que está o problema, estamos todos acostumados com aquilo e quando a empresa muda, não queremos a mudança, apenas mais daquilo, sendo que, quanto mais daquilo é feito, mais chato fica e queremos novidades… já viram o ciclo aqui não?
Será que nós, fãs, gamers e consumidores devemos realmente inteferir no trabalho alheio, ao ponto de apenas satisfazer o nosso próprio ego gamer em ter aquele final que estavámos esperando, ou, apenas, estamos ficando mal-acostumados a receber tudo aquilo que queremos do nosso jeito?












